sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O jeito




Eu gosto de gente inteligente, gosto de gente burra também. Não gosto de burro que quer ser inteligente mas gosto do inteligente que se faz de burro. Não gosto de rótulos, muito menos de rótulo sobre inteligência, e por mais que pense que todos são inteligentes - de uma certa maneira - mais vejo que todos são burros de uma maneira geral. Mas no fundo... no fundo mesmo... a burrice ou a inteligência não sois o maior dos problemas, na verdade tanto faz que todos sejam burros ou inteligentes ou que quer que sejam. O ruim mesmo é “o jeito...” para tudo tem-se um jeito. E o que não fazemos por esse “jeito”... Quando Schopenhauer afirmou que todo homem é venal, com certeza ele tinha em mente “o jeito”.

 Ah… se soubessem do que eu seria capaz de fazer por esse “jeito”. Não… nunca o saberão!

Parafraseando Dostoievsky “ Se todos nós nos puséssemos a falar, sem nos preocupar com o que os outros haveriam de pensar, do que seríamos capaz de fazer por esse “jeito”. Se afloraria tal peste no mundo que todos se poriam a correr...”.

Estou eu a ser demasiadamente humano, demais? não creio. Não importa o tempo, não importa o ser, desde que mundo é mundo e gente é gente, somos inerente a nós mesmos e essa é minha maior dor. Palavra bonita essa inerente in (dentro) ere (conjugação do verbo ser) ente (sufixo qualquer):  aquilo que vem de dentro do nosso ser e nada em relação a isso podemos fazer. E por causa do danado do “jeito” o que mais tem de belo nessa palavra tem de triste.
Por mais que sejamos todos tão diferentes, sois ele quem nos torna iguais na nossa essência. Acho que gosto mais de burro que quer ser inteligente!