quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Soneto do falso amor

 espero por um amor falso
 desses que começa na cama
 e acaba da grama
 e ilumina toda a praça

 não precisas ser tão bela
 nem gostar de assis
 tens que saber sorrir
 e parecer triste e achar graça

 de minhas esquisitisses infantis
 dos meus momentos autistas
 do meu silêncio deserto

 e não podes perguntar nunca
 o que estavas pensando
 pois não quero te dizer:

 no verdadeiro amor...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Ermo da Esperança

   Entre descontextos de fábulas infantis,
   descobri que o mundo é dos gigantes.
   O dantesco lava a alma e sucumbe os infernos ali construídos.
   O ermo dos desvalidos é tão grande que sequer se pode imaginar.
   O mundo não tem graça,
   e o ser humano é demasiadamente cruel
   suficientemente egoísta para desdenhar de tudo,
   e calcar os planos mais malígnos.
   só lhes falta coragem
   e é sua falta que impede uma carnificina total.

   O medo é o pai do homem.
   É o que corrompe as mentes
   para que a humanidade não se desintegre em si mesma.
   o medo do mais forte,
   o medo do mais sábio,
   o medo da morte,
   o medo do operário,
   o medo dos poderosos,
   o medo dos maltratados.
   Medo no inconsciente coletivo imundo que apodrece nas hipófises dos glossários.

   O retrato é três por quatro
   mas a mentira é infinita.
   Já não posso mais viver com tanta injustiça.
   Não quero morrer de fome.
   Não quero ser artista.
   Não sou mais que um poema.
   Não sou mais que uma alma aflita.
   Como uma novena que se cansou de ser lida.
   Trago um verso de amargura,
   destroçado em vozes nítidas:

   Salve o pobre, o maltrapilho,
   morra a guerra e as aventuras,
   corra a noite dos seus bandidos
   que afloram em sua mente escura.
   Faça uma prece pague um castigo
   jure a deus que vos ama
   minta à sorte que tens um rito,
   amar a dor e colher esperança
   que um dia ao norte terás abrigo,
   um pé de flor e uma vida mansa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O encontro do rapaz

  O rapaz apareceu tranquilo, eloquente...
  não sabia que a veria, mas sabia que a possibilidade era real.
  foi entrando reto, ciso, ligeiramente encabulado.
  como de costume, mesmo sabendo que uma hora a veria,
  não ousou se preparar para este momento.
  Foi então que subiu o último degrau.
  Encontravam-se finalmente no mesmo piso,
  a possibilidade que antes parecia remota
  agora era mais certa que os pingos dos is.
  Não tardou muito ha seus olhos mirarem aquela pele alva
  não poderia existir no mundo coisa mais bela
  usava um óculos quadrado que lha dava um ar de intelectual
  e tinha um sorriso de canto de boca sem descrição
  sua voz soava como a nona sinfonia
  e tuas sardas eram analiticamente perfeitas
  tinha um quadril curvuso com uma bunda nem gorda nem magra
  seus seios cabiam na palma da mão sem carência e um ml a mais sequer
  tinha uma leve gordurinha abdominal
  o que lhe garantia a qualidade de mulher
  teus cabelos pareciam plumas castanhas
  e sua boca era de um desenho místico
  teus olhinhos eram daqueles que não se cansa nunca de olhar
  e teus dedos de menina sapeca com unhas pintadas.
  Divinamente perfeita para o rapaz.
  Nesse instante seu coração já sondava em sair pela boca
  não sabia o que fazer para se aproximar dela
  mas como não conhecia mais ninguém naquele andar
  e não parecia sensato estar ali sem nenhum motivo
  respirou fundo até conseguir canalizar seu nervosismo
  enfim estava pronto.  
  Sorrateiramente aproximou-se como um cavalheiro
  e lha perguntou:  - Lembra-se de mim ?
  ela respondeu como uma princesa: -Sim
  e findou-se assim aquele encontro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

marmita da D. Jandira

 cabelos encaracolado
 cor de folhetim
 olhos aveludados
 com ar de cataclisma
 orelhas desconsertantes
 voz que não sai

 já ia ela...
 toda vislumbrosa
 como se fosse a mais vistosa
 deusa da beleza
 e da nobreza de cetim

 vai lá saber
 o que a fazia tão feliz
 se todo dia ela sofria
 para aprontar a marmita
 com arroz, feijão, galinha
 e um pouco de farinha
 só para servir

 todo dia dona Jandira
 preparava o que servia
 para ver seu filho irresponsável
 desdenhar do seu penar

 e só por isso vos pergunto
 como pode um só defunto
 viver sem reclamar?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

poema dos maculos e seus pecados

 gosto amargo de costumes
 correntes de pensamentos enclausurados
 carrega os dias e as noites enluarados
 como a seiva da chuva envenenada

 cometa de rabo imaculado
 desdenha o mastro enojado
 contem a voz dos mal bocados
 um gozo, desgosto, maltratado

 calígula o mago dos pecados
 transforma o amor e os trocados
 em fotos de marionetes disfarçadas

 funesto o teu quarto escuro
 errante a tua vida bárbara
 esconde do mundo o seu orgulho

 traga a dor e a coisa errada.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Soneto da menina dos olhos de ouro


 Menina dos olhos de ouro
 dá voz ao infinito
 vos suplica um só pedido
 uma máscara sem cor
 
 recalchuta o colar de cacos
 emoldura o teu sapato
 usa o vestido mais bonito
 enfeitiça o teu cantor

 da uma chance ao erro
 rasga os teus segredos
 esconde o teu rancor

 vai matar o teu desejo
 rompe a colina do medo
 jura eterno amor

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Acaso Fanstástico



Na busca do constante
 vi-me no obscuro inerte
 de variáveis transcedentes
 que levam o nada a vida.

 Dicotomias hiperbólicas
 refratam em senóides cabalísticas
 tornando a razão áurea
 uma fantasia do Pi .

 tendo o acaso como aliado
 os fatos tornam-se prováveis
 trasformando o certo do ontem
 na dúvida do sempre

 olhando no minimalismo de teus olhos
 ao me fazer uma fisionomia de ameaça
 e no fundo de tudo isso achar graça
 faz meu coração sonhar em voltar a amar