segunda-feira, 13 de junho de 2011

Declaração

Pequena homenagem a um grande poeta =)



"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar..."

Fernando Pessoa




 Declaração



 amo todas as suas imperfeições
 teu vestido rasgado
 te jeito sátiro
 tuas escolhas inocentes

 amo teu egoísmo
 tua desilusão
 teu desdenhar do mundo

 amo tuas infantilidades
 teu jeito menina
 tuas carícias
 tua sede de mulher


 amo tuas dúvidas
 quantas dúvidas
 dúvida até do que gostar


 amo tuas manias 
 teus codinomes 
 tua maneira de falar
 teu gosto pelo esdrúxulo


 amo como se arrumas
 a maneira que se vestes
 teu blush adocicado

 amo os teus pés
 teu corte de cabelo
 teus lábios
 tua cor

 amo que gostes de poesias
 que goste de flor
 e de viajar pelo mundo 

 amo tua impaciência
 e como consigo te acalmar
 amo te fazer carinho
 amor te fazer pular

 amo muito mais o teu sorriso
 amo o teu amor
 amo te fazer sorrir 

 eu te amo
 porque o amor é infinito
 sentimento mais bonito
 amo porque nunca deixei de te amar

terça-feira, 7 de junho de 2011

eu não presto


eu te juro meu amor
 seja a vida como for

 eu não presto
 eu não presto

 eu te faço um favor
 eu te confesso

 eu não presto
 eu não presto

 acenda um cigarro
 diga que é turista
 daí-me um trago

 eu sou artista
 eu sou artista

 vou ladrar teu coração
 te encher de ilusão
 mas saiba que és visita

 não se aflita
 não se aflita

 por favor meu doce amor
 não me venhas com chororô
 eu te dei aquela flor

 só para te dizer
 eu não presto
 eu não presto

segunda-feira, 6 de junho de 2011

eu sei o motivo

eu sei o motivo

 de algo ter um fim
 de tudo ter um começo

 eu sei o motivo

 da flor que morreu no jardim
 de mesmo morta viver o sempre
 de não se importar em ser semente

 eu sei o motivo

 por qual perdeste a razão
 do passado aqui presente
 o amor que não floresce

 eu sei o sermão

 do etéreo e do efêmero
 da dor no coração
 do sim e do não

 eu sei o sentido

 da última palavra
 do cândido forasteiro
 do príncipe e da princesa

 eu sei o que digo

 não sou seu amigo
 muito menos seu azarão...

 eu sei que sinto

 sei que seu sorriso
 é muito mais do que preciso
 para viver a imensidão...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Soneto da rosa branquela



há... se a vida fosse bela
 e as ondas soubessem cantar
 se a rosa fosse aquela
 e os meninos soubessem chorar

 chora a rosa a vida dela
 se lamentando para o mar
 porque não nasci rosa amarela?
 para o mundo por mim se apaixonar

 há... se o menino soubesse falar
 consolaria a rosa branquela
 que a vida lhe ensinou a amar

 - poderia ter todas as aquarelas
 mas nada me faria sonhar
 como faz tu minha rosa singela

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O dito não dito



 Um oba ao abstrato
 um viva ao obscuro
 quero me esconder
 por entre as palavras
 quero viver
 num quarto escuro

 Catavento catapora
 pararaio paralama
 maria vai com as outras
 maria sem vergonha
 faço parte do teu muro
 um rabisco de pamonha

 Entre pratos sem defeitos
 paranóia ao teu lado
 um mar em cada leito
 um califa no terraço
 faço arte no meu dia
 um risco desperdiçado

 Feito um vídeo em preto e branco
 o violinista no telhado
 feito o perto muito perto
 um fotografo mal assombrado
 me roubou o dia e a noite
 um caso a ser pensado

 Como um livro no poleiro
 a dor do machado amado
 um Capitu-lo sorrateiro
 a voz do Ser amago
 um elefante de presente
 um nietzsche apavorado

 O que me dizes? o que faço?
 Boom! zalaieta!
 curumins entre amigos
 cartolina de outro planeta
 pinto o corvo e o corvete
 pinto a caça e a preta

uma música aos ouvidos
uma lata de cerveja
não enxergas o que digo
não escuta o que veja
papaninfas corolários
páginas quebracabeça

 Coisas sem sentido
 coisa de chumbeta
 análogos desvairados
 retratos sem cabeça
 o belo é corrigido
 o amor a gente inventa.

terça-feira, 17 de maio de 2011

UnderWorld


 não amo ninguém
 tenho um coração de pedra
 os olhos secos 
 feito ar do sertão
 a única coisa que tenho 
 é uma coqueluche suburbana
 quem vê, não da mais que 3 dias
 mas já há mais de um ano que a cultivo
 a base de pão, café e miúdo
 e assim se passa cada dia
 de feira em feira
 de rua em rua

 não gosto de ninguém
 meu rim já não presta
 meu nariz está em sangue
 como um cálice de campari
 agora tenho um cachorro
 que me segues há esperar meu dia
 e apesar de saber 
 que queres me ver morrer
 não lhe quero mal...
 não lhe quero coisa alguma
 apenas o deixo me seguir
 como se ele não existisse

  não sinto mais nada
  corpo putrefado 
  mente desconexa
  não tenho mais cachorro
  não tenho nem pensamento
  o miúdo não veio
  o pão não se alcança
  do café nem o cheiro
  da calçada veio a fama
  capa do jornal dizia  
  morre sentado com a mão ao queixo 
  feito um Rodin. 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Imagina

  Pensas que sois mulher
  quando não passas de uma linda criança
  deslumbra tudo o que quer
  jura que és branca

  sonhas sonhos infantis
  brincas de ser vaidosa
  pensas que és atriz
  não sabes que és uma rosa

  sois um amuleto perfeito
  daqueles que se quer sempre junto
  vives grudada no peito
  não se afastas nem por um segundo

  sois todos os amores
  transformada em um só
  sois a vida sem pudores
  o efeito dominó

  sois o vento rarefeito
  a dúvida de tomé
  sois a candice e o despeito
  a fábula da fé

  sois a caixa de pandora
  tudo que eu sempre quis
  não sois real... nem pudera
  mas mesmo assim faz...
  minha vida parecer mais feliz